domingo, junho 18, 2006

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Há pessoas que por mais anos que vivam talvez nunca cheguem a ser. Talvez tenham tido tudo de bandeja e provavelmente nunca chegarão a dar valor a nada. Não lutam pelo que querem, vivem lastimando-se da vida, de tudo e de todos. No seu atroz egoismo, não conseguem dar e nem aprenderam a receber. São suficientemente inteligentes para quando a adversidade lhes bate à porta procurarem, não a quem mais querem (se é que alguma vez chegam a querer a alguém), mas a quem mais os quer, sempre com a mesma arrogância desmesurada que os caracteriza voltam a ofender, a humilhar, desprezar, numa amálgama de mentira em que eles próprios se enganam. Um dia quando chega o seu final lamentam a vida perdida e algumas vezes, raramente, descobrem que tiveram muito mais do que souberam agarrar. Ainda assim, conseguem ser amados pelas imensas qualidades que qualquer ser encerra, seja ele qual for.


Existem seres, tão dóceis, tão positivos que conseguem ser felizes com tão pouco. Seres que não pedem, apenas dão. Recebem humildemente o que tiverem para lhes ofertar e enchem de ternura o mundo em seu redor. Não são menos carentes, nem menos humanos, nem menos fortes. São seres que riem e choram com verdade. São seres que se mostram, se entregam. Seres que lutam pelo que desejam e na sua peculiar lucidez, sabem que nem sempre alcançarão. Um dia, quando paulatinamente chegam ao fim da linha, descobrem que viveram intensamente. Não são perfeitos, mas acabam por os querer amar, mesmo nos imensos defeitos que todo o ser encerra, seja ele qual for.