Avaliar
Ora deixa lá ver se eu consigo fazer uma avaliação de jeito.
Primeiro a minha opinião pessoal:
- Todos os profissionais devem ser avaliados, senão isto vira uma república de bananinhas (ainda não é, mas anda lá muito pertinho).
- Todos os profissionais têm o direito de serem avaliados por quem tem competências para o fazer.
Bem, ser avaliada, eu sempre fui, pela inspecção dos meus serviços, pelos meus superiores hierárquicos e pelos meus colegas de profissão. Todos estes com conhecimentos suficientes para fazerem alguma avaliação válida, produtiva e construtiva. Também sempre fui avaliada pelos consumidores do meu trabalho, de cada vez que evoluíram, que alcançamos juntos os objectivos propostos. E sempre fui avaliada por mim mesma, provavelmente a avaliadora mais exigente que já tive. Assim sendo, não tenho que me preocupar com legislações de “caca” que no fundo até vêm na mesma sequência daquela outra que avalia por necessidade de créditos (tipo cartão de crédito para compras a prestações), ao invés de ser por necessidade efectiva de formação contínua, aquisição de conhecimentos, actualização, etc. formações estas que sempre fiz, por acaso até em maior quantidade e qualidade, antes dos tais créditos. (A propósito dessa outra legislação fiz há uns bons anos atrás uma acção de formação 2 vezes seguidas, curiosamente os formadores tinham sido meus formandos na mesma acção de formação que eu tinha estado a dar nos anos anteriores e seguintes!)
O que eu não estou a entender lá muito bem são aquelas partes em que se fala de alguém que provavelmente nunca me viu mais gorda nem mais magra, nunca sequer falou comigo, quanto mais saber se desempenho bem ou mal as minhas funções, que na volta nem sabem quais são. Ou alguém que mal sabe somar 2 mais 2 sem errar, ou que bom se escreve com b o m, ou proferir uma frase completa sem sair uma barbaridade. Ou ainda alguém que nem sabe que eu existo, para quem não passo de um número e que de repente vai ter que ser capaz de dizer se eu sou ou não excelente, mas atenção porque não podem ser muitos no país, há que limitá-los, porque nós também precisamos dos maus profissionais (esta parte eu pensava que era anedota, mas afinal não é).
Também não percebo aquela parte em que a avaliação se deve aplicar a todos os profissionais à excepção de “alguns”, ora se é todos é todos mesmo. Se todos somos profissionais todos devemos ser avaliados, em todas as profissões e em todos os cargos, ou será que existem profissionais a quem se deve permitir a incompetência? Ou existem cargos que são tão inúteis, que nem é possível avaliá-los?
E agora que já dei a minha opinião pessoal, que diga-se de passagem não deve servir para nada, passo a fazer a propósito do último parágrafo, uma referência que creio já fiz por aí num post mais abaixo:
"Todos iguais, todos diferentes, mas uns mais iguais que a diferença de outros" (quem quiser também pode substituir iguais, diferentes ou diferenças pela palavra competência)
Enfim, vou continuar a trabalhar naquilo que gosto de fazer, que sempre quis fazer (e que sem falsas modéstias, até porque sempre o provei) SEI fazer! E venham de lá as avaliações todas, mas por favor com cabeça, tronco e membros! Tenho a certeza Srs Ministros que no dia em que forem capazes de se avaliar a si mesmos, com rigor, isenção, exigência e competência, estarão aptos a aprovar uma exigente, funcional, justa e valorizante, legislação sobre avaliação de desempenho.

22 Comments:
Isso é que ia ser bonito
Ministros a fazer auto-avaliação, ou os eleitores a fazerem-na...
Enfim - a não ligar!
Concordo com o que escreveste. Mas deixa-me referir algumas ideias-chave sobre a avaliação. É um processo natural (quando nos olhamos ao espelho estamos a avaliar-nos) e deve ser contínuo (então, nestas questões, este processo não pode ser realizado baseando-se apenas numa ou duas visualizações da pessoa a avaliar).
Sofia> bonito não sei mas produtivo seria de certeza
Pitux> essa resposta era para mim? É que essa ideia era suposto estar implicita no texto. Concordo em pleno.
.....ora minha cara, tu como qualquer um tem direito a desabafar, e como quem não deve não teme, não é verdade, eu por exemplo sou avaliado diáriamente há já bastantes anos, pois diáriamente são contabilizados os ganhos da empresa, a frieza dos números não tenho por onde fugir, 10 são sempre dez e não estica, por isso siga o baile no final logo se vê a que doi os calos.....
ena grande post o coment eheheh
Noite serena
Costuma dizer-se que "quem não deve não teme", mas resta saber que parâmetros contam para a avaliação. Como em todas as classes, há bons e maus profissionais e a verdade é que o sistema de avaliação actual também não faz justiça aos que se dedicam. As acções de formação, em grande parte dos Centros de Formação, existem mais em função de alguns formadores, que conquistaram um monopólio, do que dos formandos que, como tu referiste, são obrigados, muitas vezes a "levar" com mais do mesmo só para ter os créditos exigidos.
Antes de mais, talvez fosse a altura certa também de se encontrar uma forma de "avaliar" os pais e de penalizar alguns pelo mau desempenho.
Peço desculpa por ter tmado tanto do teu espaço. Muito haveria e muito haverá ainda para dizer...
Tem uma boa semana.
Tenho andado por aí (pela net) a ler umas coisas sobre este assunto e encontro aqui e no Mac Adriano (http://bananasdarepublica.blogspot.com) tudo o que eu gostava de saber escrever.
Também concordo que os professores sejam avaliados. Também tenho conhecimento que há professores a dar aulas de disciplinas para que não tiveram formação. Por acaso, ainda recentemente, tive conhecimento de um caso em que uma professora de português corrigiu um aluno por este ter incluído "casario" numa lista de nomes colectivos e ela achar que "casario" é uma casa pequena. Mas também não concordo, que profissionais com anos de estudo e de trabalho sério, sejam avaliados por quem, muitas vezes, nem os filhos sabe educar. Serão melhores professores aqueles que passem o meu filho?
Assim, com professores a serem avaliados pelo número de "filhos" que passam de ano, não tardará muito para que em vez de escolas passemos a ter fábricas de encher chouriços.
E a mim já me avaliaste ?
E eu?não sou avaliado todos os dias?por várias vezes e por várias pessoas!
Eu faço parte da minoria que avaliou negativamente e à priori, este governo nas urnas...;)
A questão da avaliação tem bastante que se lhe diga, sendo certo que como em tudo na vida, também os professores tem e devem de ser avaliados. Agora, o que se não pode com certeza passar, é que a avaliação não seja feita por aqueles que efectivamente tem capacidade técnica e cientifica para o fazerem. Estou em sintonia com as preocupações aqui manifestadas, um grande bem haja. *
Alyia,
Felizmente eu sinto todos os dias que estou a ser submetido ao exame exigente que é sobreviver neste país. Digo felizmente, porque ao sentir-me assim comigo mesmo, estou todos os dias a melhorar, e a tornar-me uma pessoa, e um profissional melhor.
Mas tens totalmente razão, há sistemas de avaliação que não dão mesmo para entender, mas a esses, eu simplesmente ignoro-os, porque não lhes concedo credibilidade para tal.
Bjs.
Se és professora e desempenhas bem a tua função, aconselho-te a que deixes de a desempenhar bem, pois assim irás ter uma avaliação negativa. Com os atrasados mentais que estão no poder, só os incompetentes se safarão. Razão tem um professor de quem li um comentário algures e que dizia que os professores são todos parvos por viverem na ilusão de que devem fazer o seu trabalho e andarem a chatear-se todos os dias. Diz ele que a partir de determinado momento, começou a sentir que as limitações ao bom desempenho do seu trabalho começaram a ser tantas, que ele, pura e simplesmente, começou a não preocupar-se em ensinar fosse o que fosse e a dar boas notas a maus alunos, prometendo-lhes até que, se não aparecessem na aula, ainda lhes dava uma nota melhor, safando-se assim ao máximo dessa escumalha que lhe invade a sala de aula. Diz ele, e eu acho que tem razão, que para quem o avalia o importante é ver que tem tudo em ordem: aulas programadas (no papel) para o ano todo e, sobretudo, não dar uma única falta. Eu sei que a maioria dos professores não concordará com ele, porque vivem na ilusão de que ainda são capazes de fazer milagres e ensinar o que quer que seja nos depósitos de delinquentes onde dão aulas. Pois eu estou de acordo com ele. Se eu desse aulas, sentia-me ofendido na minha dignidade e seria realista como ele. E limitava-me a comparecer no local de trabalho e a ter a burocracia toda em ordem, como ele. E estou convencido que ainda muitos vão abrir os olhos e fazer isso. É que tudo tem limites, até a paciência. Quando um país está dominado por atrasados mentais como os do governo e por muitos mais atrasados mentais que os elegem e que apoiam as suas hipócritas medidas, está irremediavelmente perdido. Qualquer esforço de bom profissional será em vão. Se eu soubesse exactamente em que momento é que ia morrer, garanto que ainda levava dois ou três ministros comigo, a tiro. Isso sim, seria um acto patriótico.
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Nada contra as avaliações. No entanto, como muito bem dizes, as avaliações devem ser feitas por quem tem competência para tal. Neste caso, dos professores, não me parece que os pais - que grande parte das vezes são quem pior educa - sejam os avaliadores mais indicados.
Saudações
Chuvamiuda> eu como profissional também sou avaliada há muitos anos: desde que entrei na carreira!
10 não esticam é que não estou de acordo. Olha que eu faço esticar todos os meus 10 euros e os do meu filho ainda esticam mais :P
Deep> tomas aqui o espaço que muito bem entenderes :) Quanto a avaliar... há tanto por dizer e no fundo nunca será perfeito
José> bem... eu acho que no fundo nós somos avaliados por todos onde incluo também os pais e alunos. Afinal são eles quem usufrui do nosso trabalho, certo?! Então porque não haviam de ter o direito de se manifestar, tal como eu "avalio" os politicos, por ex, sem por isso ser ministro. A questão está na forma como essa avaliação é feita e qual o objectivo. Quanto a ser avaliado pelo nº de alunos que passam, bem... imagina 1 turma de 40 alunos em que terminam a cadeira 4 e diz-me sinceramente os alunos são todos broncos ou... (também poderia falar do inverso, claro. E sim, sei onde queres chegar)
Alentejano> tentei, mas sabes que alentejano tem de ser avaliado devagar, devagarinho e parado, portanto ainda não terminei LOL
Kuka> todos somos a toda a hora! E ainda bem, isso faz-nos melhorar.
Zuka> gostei dessa resposta
Fílipe> a avaliação tem várias vertentes. Uma delas só pode ser feita por técnicos é certo mas uma outra pode ser feita por aqueles que usufruem do produto. A questão é que conheçam/observem/contactem/consumam o tal produto/ingredientes/confecção/ processo/...........
Å®t_Øf_£övë> todos somos avaliados a toda a hora. A avaliação é algo natural e positivo. Sou totalmente a favor! Só me parece relevante tomar atenção ao objectivo, peso, processo, etc de cada avaliação e avaliador.
Mac> sou professora e não dúvido que cometo muitos erros mas sei (como referi no texto) que sou uma boa profissional, já dei provas e já o reconheceram inúmeras vezes e é por isso mesmo que não seguirei o teu conselho. Como disse gosto de ser prof, sempre desejei sê-lo e é isso que sei fazer, acrescento que me orgulho de o ser e pretendo continuar a orgulhar. Um mal não se combate com outro mal e erros não se corrigem com erros.
Carriço> muita tareia dão nos pais "kredo". Eu também sou mãe, uma boa parte dos professores são pais. Eu sei que não é fácil educar. Não é fácil para nós pais, nem para nós professores, nem para nós sociedade, mas caramba não é preciso bater tanto nos pais por tudo e por nada. Na verdade as falhas do ensino devem-se a uma série de factores que não só o "mau desempenho" de pais! Eu sei que é mais dificil encontrar soluções do que culpados mas... acho que era mais produtivo.
:D :D :D
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Começo a chegar à conclusão que um dos grandes males deste pais são as sucessivas campanhas de desinformação!
Toda a gente gosta de o fazer, desde politicos aos sindicatos. Os media esfregam as mãos na perspectiva de uma manchete que revele escandalo.
A avalição dos professores é composta por diversos parametros. Uns mais técnicos relacionados com o conteudo das disciplinas e outros ligados ao relacionamento com as pessoas: os alunos e os seus pais.
É neste capitulo que acho bem que os pais tenham uma palavra a dizer sobre os professores.
Também sei que há muitos pais que nao estão preparados para fazer essa avalição, mas também de certeza que há pais preparados para dar o seu contributo.
Há que separar as águas. Examinar bem as propostas que são colocadas em cima da mesa, evitem deixarem-se levar pelo que "ouviram dizer".
Ups> os outros eu não sei mas eu não estou de certeza a ser levada pelo que ouvi dizer "algures" porque a minha opinião se baseia no que ouvi a própria ministra dizer.
Eclarecido este ponto concordo em parte com o que diz no seu comentário, como aliás poderia ter lido quer no meu post, quer nas respostas que dei aos comentários.
Bem vindo
Lá nesse aspecto estou de acordo.
Todos deveriam ser avaliados por quem tem competências para o fazer.
Mesmo os professores uma vez que só têm aulas assistidas no ano de estágio, depois fazem o que lhes apetece.
É preciso caminhar neste sentido...
Beijinhos.
"depois fazem o que lhes apetece"
mas tu tens alguma noção do que dizes?
Bom... a avaliar pelos post do teu blog... depreendo que não!
...
nt
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