domingo, novembro 27, 2005

A mensagem que não lerás

Acorda!
A felicidade está ali mesmo ao lado é só estenderes o braço.
Olha à volta! Há tanta coisa para te fazer feliz.

Já observaste a cor daquela rosa? É linda. Intensa. Aveludada. Não te vai picar.
Vês aquele cachorro que passa? Olha bem o pêlo macio. Aquela manchinha branca. Os olhos brilhantes. O porte majestoso. Não te vai morder.
Olha aquela árvore. As folhas caem no Outono para poderes ver os troncos. Na primavera encher-se-á de folhinhas verdes cheias de vida. Trepa-a.
Ouve a chuva a cair. Escuta a melodia. Não tapes os ouvidos. No vidro as gotinhas escorrem. Parecem lágrimas. Não, não são lágrimas. É apenas a magia da condensação.

Abre a janela sente o odor. Respira o ar. Sai para a rua. Não serás atropelado.
Isso. Anda. Corre. Salta. Não importa se esbarraste em alguém, se tropeçaste, ou se caíste. As feridas curam-se.
Olha o tamanho dos prédios. Como terão conseguido construir algo tão alto. Tantas janelinhas. Aquela camisola amarela é de criança. Naquele andar vive um rapaz. Pequeno. Tu és grande.
As vitrinas enfeitadas. As luzinhas de Natal. O bafo quente do ar condicionado inunda a rua. Gente vai e vem de saquinhos na mão. Não precisas comprar mas podes ver e tocar e cheirar e sentir.
Observa aquele puto. O riso dele contagiante. O choro dele agoniante. A birra dele irritante. Faz-lhe uma careta.
Ali vai uma jovem bonita. Outra mais velha elegante. Uma loira outra morena e mais uma ruiva. Uma delas em algum lugar será o complemento de ti. Aceita.

Hey inclina a cabeça. Deixa o sol invadir-te. Já viste que imensa bola de fogo? Chuta-a. Golo! A baliza ardeu! Não faz mal constrói-se outra.
Vá mete-te no comboio vai até à praia. Isso aí que pisas era rocha, conchas, moeram-nas com a varinha mágica até ficar areia. Agora os teus pés ficam lá marcados e os nomes que escreveres.
Ouves o som do mar? O barulho das ondas? Avança. Embrulha-te nelas sem medo. Não vais afogar-te.

Olha ali em cima. Espantoso. É todo azul. Não fujas não te vai cair em cima por mais que penses que sim.
Ahh ali vai um cavalo-marinho. Não, é uma casa com asas. Não, é o monstro daquele filme. Não, é apenas uma nuvem. Escondeu-se.
É de noite? Não importa. Pede um desejo àquela estrela. Não vai dar? Não importa. Já lhe viste o brilho. Repara ofereceu-te uma Lua cheia. Estará cheia de quê? Espeta-lhe um alfinete a ver se rebenta.

Não consegues dormir? Põe aquela música alegre. Esfrega os olhos não te ofusque a escuridão. Tira essa madeixa chata da cara. Puxa o cobertor até às orelhas. Rebusca lá bem fundo do baú uma recordação doce. E se nenhuma existir fecha os olhos e constrói um castelo. Amanhã ele vai ruir, mas vais ter o dia todo para construir outro, bem melhor.

Repara! A felicidade está aí na palma da tua mão, só tens de agarrá-la.

2 Comments:

Anonymous Anónimo said...

Eu li.

O jantar estava óptimo e as batatas até são melhores com casca looll

11:26 a.m., novembro 28, 2005  
Blogger alyia said...

Vito> comodistas!!!

11:10 p.m., novembro 28, 2005  

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